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1984: O livro que originou o Big Brother | Blog Unigran Net

Um programa conhecido mundialmente e que carrega sempre uma grande e calorosa audiência. É quase impossível que alguém não tenha acompanhado ao menos uma edição do Big Brother. Mas você sabia que a ideia do programa surgiu a partir do livro 1984 de George Orwell?

Nesse artigo te contaremos um pouco sobre esse livro e como o seu enredo caminhou para se tornar um dos programas de maior sucesso e polêmicas na televisão. 

1984 – George Orwell

1984 (Fonte da Imagem: Aventuras na História).

O livro “1984” foi escrito pelo autor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair), e conta a história de Winston Smith. 

Winston Smith é um homem de 39 anos que vive em uma sociedade distópica, num mundo dividido em três grandes potências: Laurásia, Lestásia e Oceania, onde vive Smith. 

Ele é funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade e sua função é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado à luz dos interesses do presente. 

A história tem Londres como cenário (na fictícia Oceânia). Tudo gira em torno do Grande Irmão, ele assumiu o poder depois de uma guerra de escala global que eliminou as nações e criou três grandes estados transcontinentais totalitários. 

A Oceânia reúne a ex-Inglaterra, as ex-Américas, ex-Austrália e Nova Zelândia e parte da África. É um mundo sombrio e de extrema opressão. 

O livro conta que as ruas eram o grande palco dessa opressão, tendo cartazes espalhados sempre mostrando a figura da autoridade suprema e o slogan: “O Grande Irmão está de olho em você”. 

Os lemas desse governo tem fundamentos contraditórios. A guerra, por exemplo, era vista como essencial para promover uma manutenção da sociedade e buscar a paz. 

Além disso, a própria ignorância era tida como força em meio a uma vida com condições sub-humanas como sinônimo de liberdade.

Winston, o protagonista, detesta esse sistema, porém evita desafiá-lo além das páginas de seu diário. 

Contudo, isso muda quando ele se apaixona por Júlia, funcionária do Departamento de Ficção. Esse sentimento o faz abrir os olhos para outras questões o fazendo acreditar que uma rebelião é possível. Porém, combater esse regime não é nada fácil para os dois. 

As teletelas 

“O Grande Irmão está de olho em você”. Graças às teletelas espiãs, o “Grande Irmão” estava, literalmente, de olho em todos.

Teletelas (Fonte da Imagem: UOL).

Isso porque, todos os habitantes eram monitorados por essas teletelas. Elas funcionavam como uma espécie de TV que, de um lado, enviava imagens de propaganda para quem estava assistindo a ela e, de outro, servia como um instrumento de espionagem, captando tudo aquilo que a audiência estava fazendo.

Havia também microfones escondidos nas ruas e pequenos helicópteros (hoje em dia seriam semelhantes aos drones) que filmam dentro das casas roubando qualquer vestígio de privacidade. 

No livro, existe um momento diário em que o Partido reúne todos os trabalhadores em frente a uma teletela, e então transmite um vídeo com o inimigo do povo e traidor inicial do partido, Emmanuel Goldstein. 

Esse momento é chamado de “dois minutos de ódio”, isso porque muitos ficavam realmente bravos e proferiram muitos insultos e ameaças contra a imagem. Além de que alguns partiram para agressão física contra a própria teletela.

Big Brother Brasil 

O formato Big Brother, como é conhecido hoje, foi criado em 1999, na Holanda, por John de Mol Jr. Resumia-se como um grupo de pessoas que ficaria preso dentro de um casa sendo orientado por um “Grande Irmão” que, no caso, seria o apresentador do programa. 

Alguns anos depois, em 2002, o Big Brother teve sua primeira edição na televisão brasileira. Ao contrário de muitos países de origem não-inglesa, o nome do reality show não foi traduzido para português e até hoje é conhecido como Big Brother Brasil. 

BBB 2002 (Fonte da Imagem: Veja).

Seguindo a linha de pensamento dos criadores do reality show, o personagem “Big Brother” do livro de George Orwell é associado ao apresentador do programa. Enquanto que os participantes representam a população que era vigiada. 

No programa, tal como na narrativa do livro, os participantes selecionados são fisicamente e psicologicamente orientados durante a sua jornada. Eles têm acesso apenas às informações que o apresentador, o Big Brother, quer que eles tenham e sempre se comunicando através de uma grande tela – o que seriam as teletelas do livro.

O “Grande Irmão” fora dos livros

No Brasil, Tiago Leifert exerce o papel de “grande irmão” no Big Brother desde 2017, substituindo o antigo apresentador Pedro Bial, que apresentava o programa desde o ano de 2002. 

Mas, mesmo com essa troca de papéis, Tiago ainda está ali como o Grande Irmão com o objetivo de instruir os participantes de forma física e psicologicamente durante o tempo de confinamento. 

Todas essas orientações são feitas através de uma grande tela. Para a adaptação do livro ficar mais adequada ao reality, isso acontece em uma sala. Como se os participantes estivessem reunidos assistindo a uma televisão de fato. 

O público como “Grande Irmão”

Assim como no livro 1984, os participantes do Big Brother Brasil, devem seguir normas, realizar tarefas que são, como são conhecidas, as provas do líder e do anjo. 

Existem as eliminações, que são diferentes no livro, mas funcionam de maneira similar: as pessoas “desaparecem” e não são mais observadas. 

Na realidade utópica criada por George, os eliminados eram levados pela Polícia do Pensamento, que impedia qualquer manifestação de liberdade de expressão. 

Já no reality, o responsável por essa retirada é o próprio público que vota para eliminar aquele participante que não quer mais assistir. Assim, eles saem como se não fizessem mais parte daquela narrativa. 

Dessa forma, esse modelo utilizado atualmente no Big Brother Brasil tem origens um tanto quanto sombrias, mas com uma atmosfera mais leve inserida.

Vale ressaltar que a versão original do programa, na TV holandesa, era um pouco mais restritiva, com elementos de sobrevivência. Porém, isso acabou sendo deixado de lado com as novas adaptações. 

Essencialmente o que temos agora é uma luta dos participantes para que o público goste deles. De alguma forma, não apenas o apresentador, mas também o público assume o posto de Grande Irmão. Com isso, o comportamento dos participantes é discutido no que eles acham que vamos gostar, tal qual os moradores da Oceania em 1984.

Além do Big Brother 

Claro que, ao notar a grande audiência e repercussão do programa, não demorou para que o Big Brother não fosse mais o único programa inspirado em 1984. Algumas outras referências à obra são:

O filme O Show de Truman, mostra a vida de Truman que desde pequeno está vivendo em uma realidade simulada por um programa da televisão. Sua vida é transmitida 24 horas por dia para pessoas ao redor do mundo.

E o reality The Circle onde os participantes ficam em um complexo de apartamentos, isoladas umas das outras e são capazes de se comunicar apenas através de uma plataforma de mídia social, o “Círculo”. 

Por fim,  vale lembrar que 1984 é muito mais do que inspiração para a criação de um programa ou apenas uma crítica ao socialismo. Mas sim uma obra atemporal que questiona valores de uma sociedade desprovida de ideias próprias e que aos poucos vai deixando de ter liberdade, direito fundamental do ser humano.

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