Por que os idosos têm medo de tomar vacina? | Blog Unigran Net

O desenvolvimento de métodos de imunização é um dos principais avanços da ciência. Graças a isso, incontáveis doenças e mortes foram evitadas ao longo da história. No entanto, a falta de informação ainda contribui para que algumas pessoas tenham medo de tomar vacina.

Além disso, os boatos potencializam ainda mais esse receio, sobretudo entre os idosos. A consequência é que os mais velhos, que estão entre os grupos de risco, acabam deixando de se imunizar. Assim, ficam vulneráveis a doenças que podem causar complicações graves e até a morte.

Portanto, o objetivo deste artigo é desmistificar boatos que acentuam o medo de tomar vacina. Nesta leitura, você entenderá como funcionam esses métodos de imunização e por que as vacinas são seguras. Acompanhe!

De onde vem o medo de tomar vacina?

Os primeiros métodos de imunização desenvolvidos por cientistas foram recebidos com desconfiança pela população. Exemplo disso foi o episódio que ficou conhecido como Revolta da Vacina. Na ocasião, em 1904, o governo brasileiro apostou em uma vacinação compulsória (e até violenta) para combater a varíola.

Assim, além de assustada com a situação, a população se revoltou porque também tinha medo de tomar vacina sem saber sobre seus efeitos. O episódio durou apenas seis dias e foi marcado por intensos conflitos entre o povo e o estado.

vacina

Hoje, a vacinação não é mais compulsória. No entanto, ainda existe alguma resistência, principalmente quando não há informações suficientes sobre os efeitos da imunização.

Um exemplo recente foi o que aconteceu na Europa no final de 2017. Houve um grande aumento do número de casos de sarampo – uma epidemia – em função da falta de vacinação. O mesmo aconteceu no Brasil em 2018. Porém, na Europa, grupos antivacinas contribuíram para que o cenário piorasse, disseminando ainda mais o medo de tomar vacina.

Veja alguns dos mitos associados à imunização:

1. Efeitos colaterais

Há quem tenha medo de tomar vacina devido aos efeitos colaterais. No entanto, tais consequências costumam ser apenas uma dor no local da injeção ou uma febre leve. As vacinas são muito seguras e amplamente testadas em laboratórios antes de serem aplicadas nas pessoas.

2. Vacinas versus higiene pessoal

É verdade que a boa higiene é importante no combate às enfermidades. Ações como lavar as mãos, por exemplo, podem proteger contra doenças infecciosas. No entanto, isso não descarta a aplicação da vacina. Afinal, existem diversas doenças que podem ser transmitidas mesmo para quem mantenha uma boa higiene.

3. Mercúrio nas vacinas

Existe um mito que diz que a quantidade de mercúrio nas vacinas pode ser prejudicial à saúde. De fato, algumas fórmulas levam um conservante, chamado tiomersal, que contém mercúrio. No entanto, não existe nenhuma evidência de que a quantidade do elemento presente no composto apresente algum risco à saúde.

4. Vacinas e autismo

A questão do autismo é baseada em um estudo publicado em 1998 em uma revista científica. Na época, o autor levantou uma hipótese que relacionava o autismo à vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). No entanto, não houve nenhuma evidência dessa relação e o artigo foi considerado seriamente falho. Inclusive, o texto foi retirado da revista e o autor responsabilizado criminalmente por espalhar o medo de tomar vacina.

Afinal, como a vacina funciona no corpo humano?

O objetivo das vacinas é fazer com que o organismo produza anticorpos contra determinados vírus e bactérias. O interessante é que o corpo humano é capaz de fazer isso naturalmente, quando entra em contato com corpos estranhos. Mas, na primeira vez que ocorre esse contato, a produção de anticorpos é lenta.

As vacinas, portanto, “adiantam” esse primeiro contato do corpo com os causadores de doenças. Basicamente, elas inserem no organismo vírus e bactérias enfraquecidos, mortos ou derivados, que não têm potencial de causar nenhuma enfermidade.

Assim, quando o corpo for exposto àqueles vírus e bactérias no futuro, já estará preparado para evitar a doença. Isso porque os anticorpos já foram produzidos para defender o organismo. Em alguns casos, no entanto, é necessário tomar mais de uma dose da vacina para garantir a proteção.

O que as vacinas previnem

Existem diversas vacinas, que protegem contra os mais variados tipos de doenças. No Brasil, a caderneta de imunização é diferente para cada faixa etária. Sendo assim, as vacinas são aplicadas para prevenir as seguintes enfermidades:

  • Em crianças:
    • Tuberculose;
    • Poliomielite (paralisia infantil);
    • Difteria, tétano, coqueluche e meningite (tetravalente);
    • Sarampo, rubéola e caxumba (tríplice viral);
    • Hepatite B;
    • Febre amarela.
  • Em adolescentes:
    • Difteria e tétano;
    • Febre amarela;
    • Hepatite B;
    • Sarampo e rubéola.
  • Em adultos:
    • Difteria e tétano;
    • Febre amarela;
    • Sarampo e rubéola.
  • Em idosos:
    • Gripe (Influenza);
    • Pneumonia;
    • Difteria e tétano.

Alguns desses grupos requerem atenção especial para que sejam imunizados. Entre eles, estão os idosos, crianças, doentes crônicos, gestantes e puérperas (mulheres que tiveram filhos recentemente). A vacinação dessas pessoas é considerada prioritária, porque elas são mais sensíveis às doenças.

Trabalhadores da saúde, populações indígenas, pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional também estão em grupos prioritários. Isso porque estes indivíduos estão mais expostos a vírus e bactérias.

Infelizmente, nenhuma das vacinas garante 100% de imunidade contra doenças. Mas o grau de proteção é bastante alto, chegando a 98% nas crianças. Já nos adolescentes e adultos, a proteção é de 80%.

Nos idosos, a garantia de imunização já é um pouco mais baixa, variando entre 60% e 70%. Mas isso não significa que a vacinação deva ser negligenciada. Pelo contrário, as vacinas são importantes para evitar que doenças praticamente erradicadas voltem a surgir.

vacina

Portanto, o medo de tomar vacina deve ser tratado como uma questão de saúde pública que, assim como tantas outras, exige a atuação de profissionais capacitados. Se você se interessa pelo assunto, clique aqui e conheça o MBA em Gestão da Saúde Pública da Unigran EAD.


Postagens Relacionadas